a hora da estrela.

"É a história de uma moça (silêncio) tão pobre
que (silêncio) só comia cachorro-quente. Mas a
história não é isso só não. A história é de uma
inocência pisada. (silêncio.) De uma miséria
(silêncio) anônima. (silêncio longo.)"

A adaptação da Definitiva Cia de Teatro do último romance escrito por Clarice Lispector estreou em janeiro de 2017 no Teatro 1 do SESC TIJUCA. Posteriormente, contemplado pelo Edital de Ocupação dos Teatros da SECEC e Funarj cumpriu temporada em dezembro de 2019 no Teatro Gláucio Gill.

 

O espetáculo segue a trilha da pesquisa de linguagem empreendida pela Cia. desde a sua fundação: a relação entre a música e a cena num espetáculo teatral; o limite do que se entende como teatro musical e suas variações – “teatro musicado”, “teatro com música” – bem como os seus tensionamentos como é o caso do teatro chamado “épico”.

Levada pela importância da música para a personagem central, viciada em rádio, e pela quantidade de músicas já criadas a partir desse último romance de Clarice Lispector, a Cia. se utiliza dessas canções – as criadas a partir do livro e as citadas no livro – para perguntar: como se constrói uma cena onde a música é a cena? E assim nós temos, pela primeira vez, os atores da Cia. tocando instrumentos e executando a música em todas as suas instâncias. Em outras palavras, a música, aqui está em cena em toda a sua plenitude: o ato de tocar e fazer música é a cena e meta-cena, ou seja, em outra camada, serve de esteio onde repousa a vida ficcional das personagens.

Esse é um dos pontos fundamentais dessa montagem que se sustenta sobre uma pergunta: como se faz? Clarice cria um autor fictício – Rodrigo S. M. – para pôr sob análise o ato de escrever (filosofia e prática), e nós nos utilizamos dessa análise para pôr em perspectiva o teatro, a criação de uma peça, a escrita cênica de uma montagem. Rodrigo, que é alter-ego de Clarice, é personagem e, sendo personagem, é objeto do trabalho do ator. Rodrigo pergunta “como se escreve?”, e nós perguntamos “como se elabora uma personagem que pergunta ‘como se escreve’?”. Assim, essa encenação é uma reflexão, uma tentativa, um ensaio. A cada cena vemos um caminho, uma possibilidade de escrita cênica a partir dos jogos que se estabelecem em cada uma delas e a música, em cada uma das cenas, tem uma função distinta, é uma maneira distinta de escrever uma cena.

por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
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por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
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por Ricardo Brajterman
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por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman
por Ricardo Brajterman

Foto: Ricardo Brajterman

FICHA TÉCNICA:

Do original de Clarice Lispector 


Adaptação: Jefferson Almeida e Tamires Nascimento
Direção: Jefferson Almeida
Assistente de direção: Tamires Nascimento
Direção musical: Renato Frazão

Elenco:

Jefferson Almeida, João Vitor Novaes Livs Ataíde

Marcelo de Paula, Paula Sholl, Tamires Nascimento. 

 

Atores convidados: Daniel Chagas, Dennis Pinheiro


Preparação vocal: Yves Baeta e Déborah Cecília
Professor de método passo: Diogo Brandão
Preparação de atores: Daniel Chagas
Tap e colaboração: Clara Equi
Cenografia: Taísa Magalhães
Figurinos: Arlete Rua e Thaís Boulanger
Costureira: Kátia Salles
Visagismo: Rodrigo Reinoso
Iluminação: Livs Ataíde
Assistente de iluminação: Luiz Paulo Barreto


Projeto gráfico: A4 (Davi Palmeira)

Fotos do projeto: Ricardo Brajterman


Coordenação de produção: Tamires Nascimento
Realização: Definitiva Cia. de Teatro e TEM DENDÊ! Produções

HISTÓRICO DO ESPETÁCULO:

 

2017 | JANEIRO

Temporada | Teatro Sesc Tijuca | Rio de Janeiro | RJ

 

2019 | DEZEMBRO
Temporada | Teatro Gláucio Gill | Rio de Janeiro | RJ 

(Espetáculo selecionado pelo  Edital de Ocupação dos Teatros da SECEC e Funarj)

CRÍTICA RIO EM CENA

"A história do romance divide o palco com outras duas: a do processo criativo da companhia na sala de ensaio; e a reflexão sobre o processo da própria Clarice como escritora. É o que mais me chamou a atenção na peça, pois o fato de serem três “histórias” não dispersa o foco do romance". 

VÍDEO-COMENTÁRIO ALMANAQUE VIRTUAL